Fundamentos do Templo Lendas de Aruanda

Procedimentos indispensáveis para os nossos colaboradores (médiuns)

  1. Ter Consciência de Corrente: ao entrar para uma corrente mediúnica, o médium tem que ter em vista que a sua posição dentro do terreiro muda. Ele deixa de ser um atendido para ser um colaborador (beneficiador), onde a sua principal função e ocupação é para com o bem-estar dos assistidos e para com o bom funcionamento dos trabalhos.

Deste modo, caso não haja no decorrer dos trabalhos tempo útil para o seu atendimento, o médium deve conscientizar-se de que ele já foi beneficiado pelo simples fato de estar dentro do corpo mediúnico, uma vez que ele é diretamente amparado – de forma diferenciada – pela coroa da casa (desde que mantenha sintonia vibracional com a mesma), assim como pelas “suas“ próprias entidades, visto que a maioria dos médiuns já é normalmente descarregado e trabalhado pelos seus Guias no momento da “puxada” do desenvolvimento. O médium da casa deve aprender a confiar nas suas entidades, que atuam com ele, mesmo quando estas ainda não se manifestam com firmeza. No entanto, este deve sempre lembrar-se que não existe tal coisa como um médium autossuficiente e que todos precisam de todos.

O médium, antes de entrar para uma corrente, deve ter consciência sobre se realmente quer servir a espiritualidade, bem como o templo na sua prática de auxílio e de desenvolvimento consciencial e espiritual.

O médium deve comprometer-se com o seu lapidar interior; entender, compreender e praticar a sua reforma íntima é compreender-se a si mesmo. O desenvolvimento mediúnico, antes de tudo, é o expurgar dos nossos vícios e o desenvolver das nossas virtudes: ou seja tornar-se melhor.

  • Formações e assentamentos obrigatórios: Todos os membros da nossa corrente devem realizar pelo menos duas formações obrigatórias (Introdução à Umbanda e Formação de Cambone), assim como ter e manter os seus respetivos assentamentos e firmezas. A manutenção do assentamento do Anjo da Guarda, assim como outros, é de responsabilidade e obrigação do médium perante si próprio e a sua espiritualidade. Estudar a sua religião para melhor compreendê-la e servi-la é função de todo servidor religioso.
  1. Veste litúrgicas

Todas as vestes litúrgicas no nosso templo seguem um padrão:

A vestimenta padronizada para a Direita no nosso Templo é: Calça branca, T-shirt branca, lenço branco, toalha de pemba, meias brancas e sapatos brancos (os sapatos devem ser de uso exclusivo dentro do Templo, assim como as roupas litúrgicas não devem ser usadas fora dos dias de trabalho).

As roupas devem ser discretas e limpas.

Não são permitidas roupas transparentes, justas ou decotadas.

A vestimenta padronizada para à Esquerda em nosso Templo é:

  • Homens: Calça preta e camisa preta ou vermelha, meias pretas e sapatos pretos. (Os sapatos devem ser de uso exclusivo dentro do Templo, assim como as roupas litúrgicas não devem ser usadas fora dos dias de trabalho).

As roupas devem ser discretas e limpas.

Não são permitidas roupas transparentes, justas ou decotadas.

  • Mulheres: Leggings pretas, vestido liso vermelho, meias pretas e sapatos pretos. (os sapatos devem ser de uso exclusivo dentro do Templo, assim como as roupas litúrgicas não devem ser usadas fora dos dias de trabalho).

As roupas devem ser discretas e limpas.

Não são permitidas roupas transparentes, justas ou decotadas.

  1. 3. Respeito…

Saber respeitar a hierarquia, as ordens da casa, os seus irmãos de corrente e a assistência é fundamental para um equilíbrio espiritual e energético dos trabalhos, como também auxilia num ambiente mais harmonioso para todos.

… ao Templo e aos espaços sagrados: Todos os locais do Templo são sagrados e devem ser respeitados, em especial o Congá e a Tronqueira. Assim, todos devem portar-se com respeito dentro dos espaços consagrados às divindades e rituais religiosos. Desta forma, considera-se inadequado manter todo e qualquer tipo de conversa que não tenha a ver com a preparação ou com o decorrer dos trabalhos. Também não é permitido encostar-se à parede, bem como ficar fora das posições ritualísticas dentro do Congá.

Posições Ritualísticas: de joelhos, de joelho (genuflexão), pernas cruzadas ou em pé com as mãos atrás, à frente, ou soltas ao lado do corpo.

Seja um exemplo!

Recomenda-se a todos que depois de terem executados suas tarefas permaneçam em meditação, acalmando-se, energizando-se e entrando em sintonia com a espiritualidade da casa, assim como com a sua.

Isso não quer dizer que não deva ser estimulado o convívio entre os membros, apenas se pede que tal seja feito no exterior do congá. Dentro do Congá limite-se a cumprimentar todos sempre de forma cordial e auxiliar nos trabalhos, de forma a não o tornar num ambiente desarmónico.

  • … aos Orixás, entidades da casa: Sempre que se dirigir a qualquer um dos representantes da casa deve pedir licença e saudar:

Início da Gira: Se “Descer” algum Orixá ou Guia, todos devem de imediato bater cabeça, em sinal de respeito pois, afinal, Eles são os responsáveis pela sua coroa e o seu desenvolvimento.

Meio de Gira: Quando é preciso interromper o trabalho da entidade por alguma questão, pedir licença e saudar a entidade naturalmente como fazem os consulentes (pedindo primeiramente licença ao cambone).

  • … na hora de tomar passe com a Entidade (seja ela qual for, pois não existem Guias melhores ou piores que os outros, apenas cumprem funções diferentes devido à hierarquia/organização astral da casa): cruzar o chão, pedindo licença à Entidade. O ato de cruzar o chão representa o reverenciar das forças que acompanham a Entidade. Para agilizar o trabalho é permitido apenas reverenciar as forças da direita e esquerda (cruzando/girando as mãos para esquerda e para direita).

Não é permitido aos membros da corrente escolher qual a entidade por quem irão passar – ao ser encaminhado a uma entidade pode optar por passar ou não. Se o médium se negar a passar por uma entidade[1], não será encaminhado para outra.

  • … aos dirigentes da casa: ao entrar e ao sair, todos devem cumprimentar os dirigentes e pedir a sua bênção: beijar a mão do dirigente e levar a mesma até à sua testa. O ato de pedido de bênção feito aos dirigentes representa o pedido de licença e bênção aos Guias e Orixás da casa para entrar e sair do campo sagrado do templo.
  • … aos Ogãs: Os Ogãs são os responsáveis pela coordenação dos trabalhos (Gira) quando os dirigentes da casa e/ou coordenadores de Gira estão incorporados ou executando outros trabalhos, sendo ainda responsáveis pela “puxada” da curimba (conjunto de toques e cantos), quando os dirigentes da casa não estão “puxando” os trabalhos.

Assim sendo, todos devem sempre esperar que os Ogãs iniciem o canto para os acompanhar e não puxar o canto na frente do deles. Para acompanhar a curimba as palmas devem ser ritmadas e sempre mais baixas do que os cantos.

  • … aos coordenadores de Gira: Os coordenadores de Gira são os médiuns outorgados pelos dirigentes do templo a organizar a gira e os demais trabalhos em seus nomes, visto que são conhecedores de todas as diretrizes. No entanto, não é permitido aos mesmo nenhuma mudança de procedimentos sem a prévia autorização dos dirigentes e/ou entidades chefes.
  • … aos coordenadores de atendimento: Os coordenadores de atendimento são os responsáveis pelo encaminhamento da consulência e dos membros da corrente aos atendimentos com as entidades.
  • … aos cambones: Os cambones são os auxiliares diretos das entidades, assim como são os “porta-vozes” entre a entidade e a consulência. Antes de se dirigir diretamente às entidades que estão atendendo, o médium deve pedir licença ao cambone que está a auxiliá-las. Lembrando que a cordialidade do cambone no trato com as entidades, com os médiuns e com a consulência é fundamental.

É de ressalvar que a função de cambone é dividida por todos os que fazem parte da corrente, e se uns estão ativos, outros estão como suplentes e podem ser chamados a exercer a função a qualquer hora. Assim, é responsabilidade de todos terem os seus cadernos e canetas para executarem a sua função quando chamados a tal[2].

  • … à corrente (Corpo mediúnico): Apesar das funções atribuídas dentro das diretivas de trabalho, ninguém é melhor do que ninguém. Deste modo, todos devem ser tratados com educação, respeito e cordialidade, até porque todos os membros de uma corrente possuem a sua função. Ninguém está desocupado sem fazer nada dentro de uma corrente: o médium que não está exercendo uma função ativa está a exercer uma função de suporte, tanto a nível material como espiritual. Todos os membros de uma corrente são responsáveis pela movimentação energética, manutenção espiritual e apoio aos demais irmãos que estão trabalhando – por isso, a doação e a atenção aos trabalhos é fundamental. Aliás, numa corrente mediúnica todos os elos são fundamentais.
  • … à assistência: o auxílio e o serviço à assistência é a ação básica de uma Gira de Umbanda. Por isso saber dirigir-se aos membros da assistência de forma paciente e educada é indispensável.
  • … a si mesmo e à sua espiritualidade:. Não é permitido aos médiuns da casa praticarem o seu desenvolvimento mediúnico fora da casa. Entende-se como desenvolvimento “fora da casa” a prática de incorporação, ou outro tipo de canalização dos Guias, fora dos dias de trabalho da mesma, e portanto, sem o devido amparo dos Guias e dirigentes, bem como o trabalho de incorporação noutras casas sem o conhecimento e a autorização dos dirigentes. [3]
  1. Assiduidade: Para um equilíbrio vibracional e harmónico com a estrutura energética da casa, bem como com os seus próprios Guias, a continuidade de um trabalho é fundamental. O médium tem que ter consciência para com o seu desenvolvimento, para com o seu trabalho, pois como já foi dito, contamos com todos. Sempre que não puder comparecer ou não se sentir em condições de realizar suas funções e/ou desenvolvimento deve comunicar com antecedência aos dirigentes da casa, justificando o motivo.

Todo o médium deve ter pelo menos uma presença mínima de 60% dentro dos trabalhos, uma assiduidade menor que essa não favorece nem o equilíbrio do médium, nem o da corrente. Assim, o colaborador que não conseguir manter essa assiduidade mínima será convidado a sair da corrente, sempre que o motivo apresentado não for justificado e fundamentado.

Perante ausência prolongada dos trabalhos (mais de dois meses), independente dos motivos apresentados será realizada um desligamento automático do colaborador, sendo permitido o seu retorno ao desenvolvimento e/ou à corrente apenas com autorização das entidades chefes da casa e/ou dos dirigentes responsáveis. Excluem-se os casos em que o médium tenha comunicado com antecedência a ausência aos Guias e obtido autorização dos mesmos para se ausentar.

  1. Preceito

Pelo menos 24 horas antes do início do trabalho mediúnico, os médiuns não devem:

  • Comer alimentos de difícil digestão, em especial Carnes Vermelhas;
  • Ingerir bebidas alcoólicas;
  • Praticar sexo.

O objetivo do preceito é purificar e sutilizar o campo energético do médium para facilitar a conexão espiritual com seus Guias, assim como qualificar a energia do mesmo para os trabalhos.

  1. Preparo de trabalho mediúnico

Em dia de trabalho mediúnico, devem:

  • Realizar a sua higiene pessoal, inclusive bucal, pois não há coisa mais desagradável que um consulente ter de suportar os maus odores expelidos por um médium relapso. Recomenda-se, ainda, o uso de desodorizantes, elixir bucal e perfumes em quantidade moderada;
  • Fazer o seu banho de ervas;
  • Firmar a sua esquerda e o seu anjo da guarda antes dos trabalhos.
  1. 7. Atuação de trabalho
  • Não é permitido, exceto em casos extraordinários, correr dentro do Congá, mesmo quando é solicitado um material de trabalho por parte de uma das entidades.
  • Não é permitido levar bebida individual (água) para dentro do Congá. Exceção do Ogãns e médiuns de passe, os demais médiuns podem sempre solicitar licença caso necessitem se hidratar, mas não podem tornar essa ação num hábito.
  • A corrente, em hipótese nenhuma, deve estar virada de costas para assistência, a menos que seja uma ação de trabalho.
  • Se algum médium de corrente precisar de sair, independente do motivo, só o deve fazer com autorização do Dirigente, Guia chefe, Ogãns ou coordenadores de Gira, sempre explicando o motivo. Os mesmos não achando justificável podem negar essa autorização.
  • O médium que sair do Congá por alguma indisposição só deve retornar se for chamado pelas entidades. Por isso, as entidades devem ser sempre avisadas quando um dos membros não se estiver a sentir bem. Sem autorização das entidades, o médium deverá permanecer junto da assistência até que seja chamado por qualquer uma delas para ser atendido.
  • A corrente deve manter-se em movimento, cantando (durante os atendimentos, cantar baixinho; calar apenas se uma das entidades pedir por estar dificultando a conversa com o assistido) e dançando toda a gira, permanecendo atenta ao trabalho, envolvendo-se e participando do ritual.
  • Quando o dirigente estiver palestrando, permanecer em silêncio. Desta forma não atrapalha o colega ao lado, nem desvia a atenção.
  • Seja antes, durante ou depois da gira não se deve comer dentro Congá. Nem se deve pedir autorização para sair para comer, salvo em casos excecionais de problemas de saúde.
  • Em festividades só é permitido comer e beber dentro do Congá com a devida autorização dos dirigentes e/ou Coordenadores de gira e Ogãns. A assistência deve ser sempre servida antes de qualquer médium da corrente.
  • Dúvidas, desde que não sejam urgentes devido a uma ação de trabalho, devem ser esclarecidas no término da Gira e não durante a mesma.
  • É dever do médium envolver-se em todas as atividades realizadas pela casa: limpeza, pintura, festividades, rifas, ações de auxílio social, assentamentos e formações gratuitas. Salvo exceções esporádicas e justificáveis.
  • Não é permitido levar paramentos para nenhuma entidade sem a autorização dos Guias chefes da casa, assim como não é permitida a utilização de fios, anéis, colares, pulseiras e outros que não fazem parte da fundamentação da casa.

 

Se todos seguirmos essas regras de bom grado não se criará desarmonia energética, comportamental nem espiritual. Não sendo cumpridas as regras acima descritas, o Templo  Lendas de Aruanda reserva-se ao direito de chamar a atenção do colaborador, assim como destituí-lo do seu posto de colaboração.


[1] É importante que todos nós possamos enxergar o sagrado que está por trás de cada um de nós. Todos nós somos humanos e carregamos as nossas falhas. Assim, as falhas dos médiuns não devem ser refletidas para as entidades. Saber ter um olhar compassivo[1] sobre as suas falhas e as dos seus irmãos não só leva o médium a se relacionar melhor consigo próprio, como com os outros membros e frequentadores da casa.

[2] Entendemos como natural posturas mais ativas, prestativas e atentas por parte de alguns, do que de outros.

[2] Caso haja a necessidade de algum membro da corrente intervir nalgum aspeto durante o trabalho, deve fazê-lo sempre com a devida autorização de um dos médiuns distinguidos como responsáveis pelos trabalhos, que se responsabilizará pela mesma.

[2] Pedimos também que não leve a mal se algum dos seus irmãos em Oxalá vier a lhe chamar a atenção ou dar recados. Ele não está brigando, está apenas pedindo sua ajuda para um melhor desenrolar dos trabalhos. Saber falar e saber escutar é fundamental.

[3] O desenvolvimento mediúnico é uma coisa séria e existem riscos para médiuns incautos e apressados. Esses riscos são diminuídos pela estruturação energética e espiritual da casa, onde através do próprio ritual se proporciona aos médiuns e Guias uma melhor qualificação energética para que ambos realizem o seu trabalho. Cada médium possui o seu tempo próprio de desenvolvimento e maturação mediúnica. Respeitar o seu próprio desenvolvimento e o seu tempo é fundamental para um bom equilíbrio pessoal do médium, assim como da corrente da qual ele é membro. Entendemos também que um Guia de Lei não incorpora e não se manifesta em qualquer hora ou lugar, e que ele está além da vontade do médium. Um Guia Espiritual possui afazeres no plano espiritual e não está à mercê dos caprichos dos seus médiuns. Por isso a própria espiritualidade estipula dias e horários específicos para esse tipo de ação dentro da Umbanda.