Não sabemos de quem é a autoria deste texto!
Mas bem poderia sermos nós a assinar em baixo.
Por esse motivo, resolvemos publicá-lo em nosso site.

Cobrar ou não cobrar em Centros Espirituais?

Esse é um dilema com que muitos centros espiritualistas se debatem. Afinal é certo ou errado realizar uma cobrança?

É comum a reclamação, o ataque, o julgamento a espaços dedicados espirituais que cobram uma taxa para a realização de atendimentos espirituais.

Todos justificam que a espiritualidade deveria ser caridade e na cabeça de certas pessoas, caridade é apenas o ato de dar de graça.
Mas será que caridade se resume apenas a abstenção de cobrança financeira?

Dinheiro é energia e como tal precisa ser movimentada e direcionada para o crescimento e desenvolvimento das pessoas e das instituições.

Para muitos, a casa que cobra já é um sinal de má qualidade e de picaretagem.

Porém, não cobrar pelos atendimentos ou pelos cursos não é nenhuma garantia de que o local é de qualidade.

Existem muitos e muitos centros que não cobram pelos atendimentos, e suas sessões são de péssima qualidade e os médiuns são tão despreparados que muitas vezes as pessoas saem de lá muito pior do que entraram. Claro que existem locais que não cobram e executam excelentes trabalhos.

Por que cobrar ou não cobrar não tem nada a ver com a qualidade do atendimento prestado.

Tendo isso em vista, precisamos perceber que existem locais que cobram pelos seus trabalhos, mesmo que seja apenas para manter o espaço (todo espaço tem custos) e realizam um excelente trabalho.

Não que eu seja contra um sacerdote de sua religião viver dela, não é assim em todas, ou melhor, quase todas (na Umbanda é pecado).

Eu vejo muitos locais que cobram e que, justamente por isso, conseguem fazer um trabalho de melhor qualidade.

Nem todas as casas se guiam por valores e dogmas da doutrina espírita, mas todos sofrem por ela. É uma pressão, uma imposição, nem sempre tão silenciosa, como se os ensinamentos do Espírito da Verdade fossem uma verdade absoluta.

A distorção de alguns postulados espíritas, como o: “dai de graça o que de graça recebeste”. Leva a essa grande confusão.

Porém temos que procurara perceber o que significa esse dar de graça?

Dentro da visão espírita, a mediunidade foi oferecida gratuitamente e como tal é “pecado” a pessoa se utilizar do seu dom para ganhar dinheiro.

Mesmo que este postulado seja uma concepção verdadeira, o que há de errado viver dos seus dons, de fazer de sua vocação um meio de subsistência tal com um padre, um pastor, um rabino, um lama, etc.
O músico, o pintor, o matemático, etc.  todos não possuem um dom e vivem dos mesmos?

Mas voltando. Esse postulado diz que tudo aquilo que de graça recebemos, de graça deve ser dado. Sendo assim, fica subentendido que, aquilo que não recebemos gratuitamente, pode então ser cobrado.

Tendo isso em vista, vamos falar um pouco do que as casas de atendimento espiritual não recebem de graça. A maioria delas possui despesas de aluguel, de água, de energia, de limpeza, de manutenção e outros serviços necessários para manutenção das mesmas. Isso sem falar, das despesas com os elementos necessário para a prática ritual e religiosa.

Nada disso é de graça, para tudo isso existe despesas e para fazer frente a elas é necessário dinheiro.

Por esse motivo, não vejo que exista qualquer justificativa para dar de graça o que não é recebido de graça.

Não há nenhum razão para não se pedir aos frequentadores, os beneficiados das mesmas uma contribuição justa a necessidades de sustento e manutenção da casa, para que ela possa continuar existindo e atendendo as pessoas.

Perceba que dentro do contexto citado, o que está sendo cobrado é para a sustentação e a manutenção do centro, e não a mediunidade propriamente dita.

Porém, como fica o trabalho de seus sacerdotes que muitas vezes necessitam ficar dias dentro da casa realizando os trabalhos ritualísticos de preparos dos médiuns?

Ele necessita abdicar de seu trabalho, de seu sustento, se privar de todas as benesses que todos buscam, apenas por ser um ser espiritual e por isso “tem a obrigação” de praticar a dita caridade?

O interessante é que todas as pessoas que exigem a caridade da casa e de seu dirigente são incapazes de “praticar a caridade” e contribuir com o centro que as acolhe.

Sabem porquê?

Por que a caridade sai caro para quem a pratica.

Exigir o sacrifício dos outros é fácil! Fazer um esforço pessoal e financeiro para auxiliar quem os ajuda já é muito difícil.

Fazer a caridade não implica necessariamente em não haver cobrança financeira.
Cobrar é muitas vezes exigir do outro que saia do seu estado de inação, de comodismo e também serem chamados a assumirem a responsabilidade pessoal e financeira pela manutenção da cada que frequentam.

Visto que, de outra forma elas em nada contribuem. Pois a maioria das pessoas que frequentam não querem ajudar nem colaborar com a manutenção e sustento das casas que frequentam. A obrigação é do dirigente, não é mesmo?

São egoístas e só pensam em suas próprias necessidades e carências e não querem dar nada em troca, e apenas receber.

Não sabem que toda aquela estrutura foi montada pela caridade, pelo empenho e pela vontade de alguém, que deu seu dinheiro, que investiu no local, para que outros pudessem se beneficiar dos atendimentos.

Uma pessoa que não pensa nisso, e quer apenas usufruir e ponto final, deveria pensar que tudo na vida tem gastos. Vivemos numa sociedade capitalista, onde nada se faz sem dinheiro. Tudo que existe nesse mundo é pago, pois por detrás de tudo há um serviço, há um custo, há mão de obra empregada. Pessoas que se doam por amor em centros espíritas, em terreiros de umbanda e em casas de candomblé também precisam da doação dos frequentadores, caso contrário, elas têm que arcar com todos os custos sozinhos.

Não é justo, que médiuns e trabalhadores de uma casa, de um ilê, que já estão oferecendo seu tempo, o seu trabalho, o seu amor, ainda tenham que arcar sozinhos com todos os custos operacionais que um centro exige.

É muito mais justo e solidário se todos os custos fossem divididos igualmente dentro todos os frequentadores.

Quando vamos a um local de tratamento espiritual devemos sempre ter em mente que nada ali é gratuito. Tudo teve um preço. Por esse motivo, cabe aos frequentadores ajudarem a manter o espaço. Se todos ajudassem, menos encargos seriam concentrados nas mãos de poucos. Se poucos ajudam, um maior peso ficará concentrado nas mãos de alguns. Por isso, essa questão de fazer tudo de graça é muito relativa.

Percebam que a grande maioria não ajuda voluntariamente, e os dirigentes com medo de serem taxados como aproveitadores, pessoas pouco espirituais e que só pensam em dinheiro (lembro que todo julgamento é uma confissão), ficam apelando “as paredes” que elas ganhem consciências e auxiliem na manutenção do trabalho.

De qualquer forma, repudiamos essa ideia de que não se pode cobrar. Em minha opinião, isso é algo bastante hipócrita e que só prejudica os centros espirituais. Apenas não vejo motivo em negar que possa haver uma contribuição por parte de todos os frequentadores.