A mediunidade é um factor natural que faz parte da natureza, dos sentidos e do corpo humano. É uma sensibilidade, um sentido a mais, o sentido astral que está sempre captando informações desse mundo mais subtil, quer o individuo tenha ou não consciência dele.

Não é porque estamos encarnados que deixamos de ser e de viver o mundo astral, pois o astral está em todos. Porém, algumas pessoas ao longo de seu processo evolutivo psico-astral desenvolveram esse talento, essa característica da mesma forma que outros desenvolveram outros talentos como para a música, para as artes, para a matemática, etc.

Mediunidade é uma característica de percepção do mundo astral, que a medida que o individuo vai evoluindo, exercitando e educando essa sensibilidade ela vai se tornando cada vez mais útil e mais eficiente na vida do individuo e consequentemente para a sociedade. Por isso não acredito que mediunidade seja um karma e muito menos algo que é “dado de graça”. Ninguém recebe nada de graça além da vida, tudo é desenvolvimento e mérito pessoal.

Tradicionalmente a mediunidade serve para a expansão da consciência. Não é um karma, nem é dado de graça (como disse anteriormente), mas sim uma conquista do espírito ao longo de sua evolução psíco-astral e que serve e é fruto de uma expansão maior de consciência auxiliando uma maior qualidade de vida individual e colectiva.

Mediunidade ou sexto sentido, não é propriedade de nenhuma religião, de ciências e filosofias é um património ser e da humanidade. E como tal, é entendida, praticada e ensinada por vários pontos de vistas diferentes.

Como é património da humanidade, como um talento desenvolvido, cada individuo faz dela o uso que quiser: dá uso ou não dá uso; usa bem ou usa mal; cobra ou não pelo exercício de sua faculdade; não existe uma regra fixa e absoluta de como dever ser utilizada. Tudo depende muito da cultura, da filosofia, da doutrina e da consciência de cada individuo.

Claro que, mais cedo ou mais tarde todos nós iremos “prestar conta”, ou seja, sofrer as consequências do mal uso de nossos talentos e atitudes. Pois todos os talentos do individuo, seja eles quais forem, devem ser usados para o crescimento, evolução e aprimoramento do individuo e do ambiente.

Mediunidade não tem nada a ver com religião, com doutrina espiritual e ou com elevação e evolução espiritual, moral e ética do individuo. É um fenómeno natural desenvolvido pelo seu espírito.

Assim, apesar das ideias religiosas sobre a mediunidade pregada por várias religiões, ela é de uso, vamos assim dizer, livre. Claro que isso não dispensa conhecimento, ética, responsabilidade e compromisso no seu uso.

Mas não é assim para tudo?

Pois como todos os sentidos do individuo o resultado depende de sua utilização e um mal uso da mediunidade pode trazer sérias consequências.

Caridade não é o dar de graça, como é tão amplamente pregado pelas comunidades espirituais e religiosas.

Caridade é acção de promover o crescimento e o desenvolvimento consciencial, emocional, espiritual e humano, capacitando-o a ser e a fazer melhor por si e pelo meio. Que por sua vez é muito diferente do assistencialismo. Que é o acto de dar, de assistir ou outro em suas necessidades sem erradicar as causas da sua carência, ou seja, de não promover o crescimento e o desenvolvimento do individuo. Perpetuando-o numa situação de miséria, dependência e comodismo.

Esse conceito de mediunidade e caridade vem de Kardec, quando ele, no século XIX, usando da linguagem e contexto da época (iluminismo – Positivismo – Dominância da Igreja Católica)  utilizou-se do termo: “Fora da Caridade não há salvação” como uma provocação clara à igreja que se utilizava do postulado: “Fora da Igreja não há salvação”.

Ou seja, sem a libertação dos dogmas e promover o desenvolvimento intelectual e consciencial do individuo não há como o individuo abandonar a postura infantil e dependente da vontade de Deus ou da Igreja, continuando limitado e subordinado a um poder maior.

Com o advento dos dogmas católicos dentro do espiritismo, esse conceito passou a ser confundido com assistencialismo, tanto que o próprio codificador da doutrina tinha como hábito cobrar a participação dos médiuns e da assistência nas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos espíritas, pois precisava arcar com as despesas de aluguer do imóvel (vide o último capítulo dos Livros dos Médiuns), assim como se utilizava do dinheiro dos seus livros e dos eventos que promovia para o seu próprio sustento.
Pois o conceito de caridade de Kardec, não era o conceito assistencialista, herdado dos dogmas católicos para o Espiritismo ou para a Igreja Espírita Brasileira, visto que muito desses dogmas católicos viraram dogmas da doutrina.

Infelizmente esse conceito também foi importado por outras religiões, tal como a Umbanda e respeitando os companheiros espíritas e umbandistas que possuem sérias reservas a cobrança financeira em relação aos trabalhos mediúnicos. Nós, do Lendas de Aruanda não nos sentimos culpados e constrangidos e nem mesmo usados por entidades negativas por realizar a cobrança financeira dos médiuns e assistidos que participam de nossos trabalhos. Pois tal como Kardec precisamos arcar com as despesas de sustentação e de manutenção de nossa casa e não concordamos com as atitudes de fazer imensos eventos (mendicidade) de angariações de fundos para a manutenção dos mesmos, afinal não vivemos da Umbanda, não vivemos para à Umbanda, mas sim, vivemos com à Umbanda.

“Compreender que há outros pontos
de vista é o início da sabedoria”
                                                                                                 Thomas Campbell

“A diferença que existe entre nossos pontos de vista,
não nos torna exactamente errados”
                                                                                                       Heldney Cals

Heldney Cals