Dentro da visão da Umbanda, os Orixás são princípios divinos constituintes de toda criação e claro presentes em todos os seres.

São vibrações, são energias, são poderes divinos diferenciados, mas não individualizados do Criador, são dentro do contexto religioso divindades.

São forças supremas ou divinas e não espíritos divinizados, que foram antropomorfizados no passado, obedecendo a um processo inteligente e mitológico. E a mitologia, com as suas alegorias simbólicas formam um conjunto arquetípico de transmissão de um conhecimento, que é, a grosso modo, a forma que devemos nos relacionar com O Todo, com O Sagrado, com Deus e com a sua criação. Assim, dentro da visão mitológica, cada Orixá recebeu um aspecto intelectual e humano de uma “coisa” que é algo único para que nós possamos melhor entende-la e assim, melhor estabelecer contacto com essa realidade superior.

Em suma, os Orixás são potenciais divinos que se manifestam em toda criação, e consequentemente dentro de cada um de nós. Assim, Orixá é uma força, uma dimensão divina, oculta na essência do ser e que se manifesta em nossa vida através do psiquismo humano, através de organizações denominadas de arquétipos.

Arquétipos, do grego: Arque = modelo; Tipo = antigo. São modelos primordiais, existentes na mente coletiva (inconsciente colectivo) que agem como uma força propulsora de amadurecimento da consciência humana. São ideias primitivas, estruturas simbólicas, núcleos de energia ou campos de força existentes no inconsciente (espiritual) da humanidade. Portanto, poderes divinos acessíveis a todos e que impulsionam o desenvolvimento ou despertar consciencial do ser.

Todos nós, de alguma forma estamos conectados a uma mesma estrutura mental, a esse inconsciente coletivo que de alguma forma se relaciona com uma Mente Maior, que se nós quisermos podemos chamar de Mente de Deus, ou simplesmente Deus (Olorum).

Nosso inconsciente aloca um campo individual, que armazena todas informações de nossa história e um outro campo transpessoal, que por sua vez armazena todas informações disponíveis a consciência humana. E nessa estrutura transpessoal existe um núcleo de poder que podemos chamar de espírito, de Ori, de Eu superior, que de modo simplista seria Deus em nós. E esse campo ao estar interligado a essa estrutura Mental Maior (Mente de Deus) se transforma no meio pelo qual essas ideias primordiais da criação na forma de estruturas arquetípicas e divinas (divindades/Orixás), pré-existentes a consciência humana emergem para uma manifestação consciente dessa realidade superior promovendo o despertar, o amadurecimento e a evolução do ser.

Assim, arquétipos são forças que regem o universo  e que por sua vez representam facetas da mente cósmica.

Na estrutura psíquica, espiritual e religiosa da Umbanda o elemento de “liga”, de conexão com essas forças internas e externas da criação[1] (Orixás) se faz através de rituais. Pois o ritual serve para nos colocar na ressonância harmónica com as forças e com os poderes que buscamos, para que em harmonia com esses “campos divinos” possamos direcionar a sua energia para a transformação (magia) da nossa realidade interna e através da movimentação de nossos potenciais internos possamos alterar a nossa realidade externa. Afinal, a magia ritual de Umbanda é a movimentação, a manifestação da energia divina existente dentro de cada um de nós para a criação de uma vida mais equilibrada, harmónica, plena e feliz.

Heldney Cals

[1] Interno e Externo é apenas uma expressão didática, visto que o Criador e a criatura se amalgamam na criação, onde tudo é Deus ou Olorum