o-avatar-solarQuando estudamos umbanda, estudamos essencialmente os Orixás, que são princípios cósmicos da criação, humanizados em forma de Divindades para que possamos melhor compreende-los, visto que sua dimensão e amplitude é bem maior do que a mente, a consciência e o conhecimento humano é capaz de abranger.

Aprendemos deste de cedo a fazer correspondência ou um sincretismo religioso com os ensinamentos católico, onde os Orixás são representados por Santos. Porém de todos os Santos, de todo o panteão católico só existe um Orixá a qual todos temos uma ideia comum enquanto ao seu sincretismo, que é o de Oxalá, sincretizado e incorporado na figura de Jesus.

Assim decorrer um pensamento sobre Oxalá e Jesus, não é tarefa fácil. Pois se um não é ou outro, pelo menos são os mesmos.

Confuso?
Sim, mas explicável.

Oxalá é a divindade solar, governadora de todo o sistema solar. Consciência divina organizadora de toda à vida e de todo o sistema evolutivo abrangido pelo seu magnetismo ou força gravitacional. É o Senhor dos mundos.

Seu magnetismo abrange todo o sistema solar, senso assim o alfa e o ómega da criação.

Pai Oxalá é a força gravitacional que faz com que tudo gire em torno da obra divina, é a representação máxima da Vontade de Deus, é a expressão das Leis que coordenam e organizam os princípios aos quais a vida se desenvolve. É o Legislador Divino, o Governador Espiritual dos mundos, o responsável máximo pelo processo educativo e evolucionário dos seres, o Maior dos Orixás, aos quais todos os outros devem reverência.

Segundo ensinamentos trazidos pela espiritualidade, essa consciência cósmica se manifesta em todos os mundos (planetas e estrelas) de acordo com as características físicas, espirituais, magnéticas e energéticas de cada orbe[1].

Ou seja para cada orbe, para cada planeta, para cada estrela em todas suas dimensões há a manifestação do Avatar Cósmico ou Solar.

Isso assim se faz por que as Leis que regem os mundos são as mesmas, apenas adaptadas, ajustadas as realidade magnéticas, energéticas, espirituais e físicas dos mesmos.

Isso a nível religioso ficou conhecido como descenso vibratório.

Isso quer dizer que a consciência da divindade a qual nós chamamos de Oxalá, se individualizou e se manifestou em uma parcela de sua consciência em cada um dos mundos.

Essa parcela da consciência divina, manifestada e corporificada na Terra se fez em nome de Jesus de Nazaré, o Avatar Crístico, o Luminar da humanidade, o messias planetário.

Como o próprio Jesus afirmou:

“Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.”
Jesus – Jo, 8: 23

Assim Jesus não foi e não é um espirito humano, mas sim um Mistério Divino, uma divindade, uma parcela da consciência cósmica corporificada ou humanizada que se manifestou para falar a consciência dos homens, bastante limitada para entende-lo, visto que até hoje não conseguimos de fato assimilar em nosso espirito os seus ensinamentos.

Quando um espirito encarna, ele encarna para evoluir, para se desenvolver, por isso fica preso ao que se convencionou chamar Roda das Encarnações, ou seja, encarnamos um dia, desencarnamos e voltamos a reencarnar sucessivamente até que consigamos atingir um patamar específico de consciência evolutiva. Assim a Roda das Encarnações é uma ação natural da Lei que visa o aperfeiçoamento e o aprimoramento do espirito.

Com Jesus não se passou dessa forma, porque ele não encarnou, ou seja ele não entrou, ou ficou “encarcerado” a Roda das Encarnações, pois após o descarte de seu corpo físico e etérico ele voltou a integra-se a Consciência Cósmica de Oxalá, ou a Consciência Cósmica Solar.

Assim no homem de Nazaré ocultava-se na forma humana a parcela humana de Oxalá.

Entendemos Jesus como um ser especial, uma divindade “viva”, muito além das capacidades e características de um ser humano. Mas enquanto “espirito humano” ele teve que se sujeitar as Leis que regem a matéria densa e o corpo físico que acarretou em restrições naturais a manifestação da sua consciência crística.

Pois, Jesus enquanto homem esteve sujeito as Leis que regem a matéria; enquanto espírito esteve sujeito as Leis que regem o espírito – muitas por nós, ainda completamente ignoradas. E enquanto Consciência Cósmica ou Divindade, sujeito as Leis Cósmicas, porém ilimitado em suas ações perante os padrões de entendimento humano, quer material, quer espiritual. Por isso senhor e detentor de princípios por nós desconhecidos, realizou aquilo que costumamos chamar de milagres, justamente por não terem explicações óbvias ou possíveis mesmo com o avanço do conhecimento científico, intelectual e espiritual que temos hoje.

Enquanto homem foi e era impossível para Jesus evitar os impactos vibratórios inerentes a realidade do planeta, assim como a todos os desafios que uma encarnação (corporificação) acarreta. Como dinamizador das forças evolutivas das consciências e do universo teve que se opor a todo um sistema político e religioso e arcar com todas as consequências de suas ações. Caso assim não fosse não poderia ser visto ou entendido como um exemplo e nós não poderíamos seguir seus ensinamentos que podem ser resumidos e em dois princípios básicos: “Amai a Deus acima de todas as coisas e aos outros como a si mesmo(Mateus, XXII: 34); Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem” (Lucas, VI: 31).

Assim, compreendemos que Oxalá é Jesus e que Jesus é a corporificação, a humanização de Oxalá e que deve ser louvado e cultuado dentro dos Templos de Umbanda, assim como os seus princípios seguidos e ensinados.

 Heldney Cals

[1] Sim acreditamos que a vida se manifesta em outros planetas, orbes e dimensões.