Antes de passar esta lição do Preto velho, vou explicar o porquê dela.

Certo dia, durante uma gira, o Preto velho mandou que o seu “cavalinho” (médium) fosse fazer um trabalho na casa de uma das suas filhas (consulente) que morava numa cidade diferente da do seu médium.

Como existia uma grande distância a ser percorrida, o médium combinou com a assistente que as despesas de deslocação ficariam por sua conta.

No dia combinado, segue o médium e seu cambone para realizar o tal trabalho pedido pela entidade. Chegando a casa da consulente no horário combinado teve uma grande surpresa porque a consulente recusou-se a fazer o trabalho, pois tinha combinado com um amigo uma outra coisa.

Apesar de não ter gostado da atitude da consulente, disse que estava tudo bem e pediu o ressarcimento das despesas conforme tinham combinado e que voltaria outro dia quando houvesse disponibilidade da parte dele.

Foi aí que ele escutou a resposta: “Pagar???? De jeito nenhum! Você veio aqui porque quis e ainda por cima não fez trabalho nenhum! Por que vou pagar?”

Com essa atitude o médium não discutiu, afinal ele sabe que não há pior pobreza que a do espírito. Assim, com raiva, mas resignado, voltou para sua casa.

Dias depois ela (a consulente) volta ao terreiro e vai ter com a mesma entidade, de quem escuta uma grande lição:

Lição de Preto velho

Consulente: Meu pai, vim aqui reclamar, pois o trabalho que o senhor passou para que fosse feito na minha casa ainda não foi feito.

P.V: E “purque num” foi feito, “fia”?

Consulente: Ele até foi fazer, mas quando chegou, não quis esperar.

Cambone: Com licença, meu pai, não foi bem assim o que se passou. -E  contou à entidade a história acima.

P.V: Então, “fia”, o trabalho “num” foi feito por sua vontade. Veja quando é que “cavalinho” tem tempo, “por mode quê” ele não “atrapaiá” sua vida de novo, pois “afinar” cavalinho já fez o que “divia”. E foi a “fia” que “num” deixou.

Consulente: Mas isso pode demorar muito! Onde esta a caridade que vocês tanto pregam????? – perguntou num tom de censura ao preto velho.

Após fumar seu cachimbo e pensar um pouco, o Preto velho assim respondeu:

P.V: “Fia”, “os fio confundi” muito caridade com abuso. Acham “qui” todos os “povo” tem que dar o que querem e quando querem. Caridade “num” é isso “naum, fia”! Caridade é “ajudá os fios” como se pode, como sabe e com o tempo “qui” tem, sem “si” prejudicar. Caridade, “fia”, é “ocê” ser ajudada e ajudar quem lhe ajuda. Caridade, “fia”, é esse “nego” lhe dar um abraço e “ocê” dá outro. É troca, “fia.”

Mas vou dizer assim, “fia”: como os “fio cunfundi” muito tudo isso, “nego” vai dizer assim: “Nêgo-veio” num “faiz” mais caridade não. “Nêgo veio faiz ajudador”. “Nêgo veio faiz” apoio, e que a partir de hoje, “nêgo veio” num qué qui cavalinho meu faça mais caridade também. “Nêgo” qué qui cavalinho agora dê apoio e ajuda. E quando cavalinho vê “qui” o povo que abusar, seja “di nego” ou dele, que cavalinho ponha a mão! Pois o povo tem “qui” deixar de ser egoísta, e aprender a ajudar um ao outro. Pois ajuda (caridade) é isso, fia. É amor e amor é trocar.

O povo “qui” só quer receber sem dá nada em troca nunca reconhece o que recebe, e “num pára di fazer a mesma coisa “pruque” sabe que os outro vai sempre fazer de graça o que eles qué. E isso, “fia”, isso é abuso! E com abuso os “fio num” melhora naum, fica sempre nos “mermo” erro, nos mermo “problemador qui arruma”. Por isso, a partir de hoje, “nego” num vai fazer mais caridade não. Nego veio vai dá apoio, ajuda, mais caridade nego veio num faiz mais não!”

Ensinamento do Preto velho Pai António
Adorei as almas!!!