Iniciação à UmbandaMuitas são as pessoas que nos perguntam como iniciar-se na Umbanda. E com intuito de esclarece-las, passamos a baixo a nossa visão.

Acreditamos que o processo de iniciação na Umbanda seja um método de auto iniciação, ou seja, começa com a vontade do principiante em buscar sua transformação e lapidação interior, ao mesmo tempo em que busca relacionar-se melhor com o sagrado e a espiritualidade, predispondo-se a servi-los.

O processo de auto iniciação demanda tempo e esforço pessoal por parte do iniciante, pois a experiência e a maturidade mediúnica só se adquire com a prática, com a persistência e com a boa vontade do adepto de servir, de aprender e de se desenvolver mediunicamente.

Esse desenvolver mediunicamente, não tem a ver apenas com as qualidades e potencialidades mediúnicas do médium, mas sim com um esforço próprio de aprender a se relacionar melhor consigo mesmo, assim como com a coletividade que o cerca dentro e fora do templo religioso. Afinal como podemos nos relacionar de forma equilibrada com a espiritualidade quando temos dificuldades de se relacionar connosco mesmo e/ou com o ser humano?[1]

Assim entendemos que não existe um tempo determinado para o desenvolvimento mediúnico em si, mas sim o tempo necessário para que cada individuo busque o seu crescimento e desenvolvimento espiritual, consciencial, humano e mediúnico. Por isso não compactuamos com a ideia de que alguém pode capacitar ou desenvolver um médium de trabalho sem o aval da espiritualidade do mesmo, que saberá melhor do que ninguém quando o seu pupilo e futuro parceiro de trabalho está apto a assumir a tarefa mediúnica[2].

Todos os rituais iniciatórios[3] praticados na Umbanda tem como finalidade fortalecer o tónus mediúnico do iniciante, assim como de imantar, assentar determinadas forças e poderes já existentes na coroa mediúnica do médium.

Assim entendendo, compreendemos que os rituais iniciatórios dos médiuns serve apenas para equilibra-los e fortalece-los, facilitando assim o caminho de desenvolvimento e auto iniciação.

 

[1] Saber conviver pacificamente dentro de um templo é fundamental para um bom desenvolvimento espiritual e mediúnico. Saber lhe dar com os problemas típicos dos relacionamentos humanos, auxilia o novo médium a saber lhe dar também com os problemas e dificuldades trazidas pela consulência. Todo terreiro é um microcosmo, ou um pequeno núcleo onde é natural que posturas comportamentais, anseios emocionais e espirituais divergentes se sobressaiam para que melhor sejam percebidos e trabalhados por todos. Como ponto de convergência comum é necessário um esforço coletivo e continuo para que todos possam aprender a se ajudar mutuamente, caso contrário poderá se gerar um ambiente propício a conflito. Lembro que o novo médium deve aprender a se relacionar com o núcleo de trabalhão pré-existente, assim como o grupo deve sempre abrir espaço para aconchegar o novo membro.

[2] Saber distinguir a pressa natural do médium, do aval de sua espiritualidade, assim como avaliar todos os paramentos de um bom desenvolvimento mediúnico é tarefa do dirigente e da espiritualidade responsável pelo templo

[3] Amacis, firmezas e assentamentos, coroação e ou feitura.