O desenvolvimento mediúnico dá-se de várias formas e por várias vias, mas na Umbanda dá-se principalmente de duas formas: recebendo orientações e realizando as oferendas muitas vezes solicitadas pelas entidades e/ou “puxando” suas entidades.

Como dissemos num texto anterior, o desenvolvimento mediúnico na Umbanda é muito mais do que simplesmente ir a uma gira e ficar “puxando” as suas entidades pois é um acto de desenvolvimento do indivíduo como ser através do uso da “ferramenta” mediúnica. E, tal como falámos linhas acima, que fique bem claro que não são só aqueles que “puxam” as suas entidades que desenvolvem a sua mediunidade. O consulente também a está a desenvolver. Não é verdade que quando as entidades nos mandam fazer determinados trabalhos estamos entrando em contacto com o mundo espiritual e magístico que a Umbanda oferece e que também estamos exercendo uma acção mediúnica e nos favorecendo através dela?

Porém o desenvolvimento mediúnico prático, ou seja, através da “puxada” das suas entidades, oferece ao médium principiante mais recursos para que se torne mais rápido o seu aperfeiçoamento como ser.

Por isso muitos templos de Umbanda abrem trabalhos ou cursos de desenvolvimento mediúnico, visando a dar ao novo médium ferramentas para o seu crescimento e fortalecimento como indivíduo.

Porém, a mediunidade de Umbanda, ou a forma de actuação de um médium umbandista, difere muito de outras características mais pacíficas de outros segmentos espirituais e religiosos, porque possui um potencial anímico muito forte pois os guias espirituais que se manifestam trazem nos seus arquétipos uma maneira muito especial de se manifestar, sempre carregada de um personalismo muito forte. Isso marca e define a incorporação umbandista, o que leva os dirigentes da casa a ter atenção aos desequilíbrios emocionais dos médiuns que, muitas vezes, são levados pela “euforia” dessa sua nova experiência.

Este “entusiasmo” que o motiva a superar uma série de obstáculos que aparecem no início da sua nova jornada e a amar esse novo mundo que se apresenta, pode levá-lo também, se não for bem orientado, a um processo de animismo, que é quando o médium é movido por uma grande vontade de se desenvolver e trabalhar se manifesta como se fosse a entidade.

Esse processo comum a muitos iniciantes é muitas vezes imperceptível ao próprio médium que, de tão envolvido no seu processo de aperfeiçoamento, não consegue perceber a sua influência no processo de manifestação da entidade. Esse tipo de desequilíbrio só pode ser resolvido com humildade e resignação por parte do médium iniciante que, infelizmente, por vezes, acaba por se afastar do seu desenvolvimento espiritual justamente por ser chamado a atenção ou por achar que não é reconhecido pelo “seu trabalho” pelo dirigente da casa. Esse processo é totalmente diferente da famosa mistificação que é quando uma pessoa de forma propositada se faz passar por Guias Espirituais com o único propósito de enganar o seu semelhante.

Porém, o médium que se afasta no seu orgulho e na sua impaciência, muitas vezes acaba por ser aproveitado por espíritos de pouca índole e vira marioneta do mesmo, pois na sua vaidade continuamente estimulada pelos “novos colegas” começa a achar-se alguém especial e, às vezes, portador de faculdades mediúnicas únicas.

Por isso um médium, seja ele de que religião for, não deve assumir para si os louvores dos trabalhos realizados pelas suas entidades e deve ter a paciência necessária para que possa realizar um bom trabalho, primeiro em benefício próprio. Como diz o preto velho Pai Tião: “aquele que se esquece de si mesmo, também se esquece de Deus”. Só depois de ter a firmeza e o conhecimento mínimo para se ajudar é que pode começar a fazer por ajudar o outro.