Essa lição foi-me dada há muito tempo atrás, ainda na minha adolescência, mas como tenho pensado muito nela ultimamente, resolvi relata-la.

Certo dia, após ter vivenciado uma situação um pouco complicada e de estar bastante “chateado” por isso, resolvi ir para meu quarto, pensar na vida.

Pouco tempo depois, senti a presença amiga e familiar de Pai António, o “meu” preto velho.

Resolvi não dar muita atenção, afinal, eu não estava muito “virado” para “essas coisas”.

Depois de algum tempo em silêncio, escutei sua voz amiga me questionar:

– O filho acha que tem razão, não?

– Como não?! Exclamei até um pouco exaltado.

– Pois é filho, o outro também. Sentenciou com doçura meu querido pai.

– Como assim o outro também? O senhor não viu o motivo de nossa discussão?

– Vi sim filho, e por isso é que digo isso.

– Mas meu pai, ele não nos respeita, não respeita a minha espiritualidade!

– Como o filho também não respeita a maneira dele ver as coisas.

– Mas ele está errado! Exclamei alterado.

O senhor está ai conversando comigo, o senhor é real! E os outros ficam dizendo que isso é coisa de gente ignorante, etc.

Eu não me conformo com isso. Eu tenho razão!

– É verdade filho, que você até tem sua razão, mas não posso negar que ele também a tem.

– Como assim meu pai?

– Simples filho, vocês discutiram por enxergar as coisas de maneira diferentes, certo? E nesse diferente não há razão, há ponto de vistas que devem ser analisados a luz da razão.

Você acredita em nós, no mundo espiritual e está certo, afinal essa é sua vivência e experiência. Mas lembra como foi difícil para você aceitar isso?

– Lembro sim meu pai. Eu não queria ser médium e também achava que espírito não existia. Respondi eu mais descontraído.

– Pois é filho, você tinha tudo para acreditar e não queria acreditar, muito menos aceitar.

– É verdade meu pai.

– Por isso, se coloque no lugar dele, que não tem motivos nenhum para acreditar. Ele não sente, não ouve, não vê e foi ensinado a acreditar que não existia.

– É… vendo por esse lado, acho que o senhor está certo. Mas que eu tenho razão, isso eu tenho!

– Filho esse negocio de razão é muito mais complicado do que você pensa.

– Como assim, meu pai?

– Para se ter razão, é preciso conhecer os quatros lados de uma questão.

– Quatro lados?! Pensei que eram apenas dois.

– Não filho. São quatro!

– Não entendi? Exclamei eu já um tanto confuso.

– Pois bem, vou lhe explicar: O primeiro lado é o seu, que deve ser visto de forma imparcial, ou seja não olhar as coisas unicamente do seu jeito. Sei que isso às vezes é muito difícil, mas vamos supor que você consiga. Pois só assim você terá a condição de tentar ver o segundo lado da questão, que é o do outro.

Mas você tem que ver o lado do outro, não como você pensa ou sente as coisas, mas sim pela perspectiva dele, ou seja, como ele vê, sente e pensa as coisas. Isso é ainda mais difícil. Mas vamos também supor que você consiga.

Então é preciso entender o porque de tudo está acontecendo. E muitas vezes o porque filho, já se perdeu nas curvas do tempo. Mas vamos acreditar que você também consiga isso.

Aí é preciso enxergar qual a razão, qual o propósito divino das coisas, e isso filho, só Ele (Deus) sabe!

Até conseguir enxergar os quatro lados de uma questão, toda discussão é inútil, pois você estará discutindo por aquilo que cada um acha, que cada um acredita, pelo seu lado e não pela verdadeira razão das coisas. Pois não existe filho nenhuma verdade absoluta no universo, a não ser Ele. E Nele cada um acredita no seu modo e não vale a pena ficar discutindo sobre isso.

– É meu pai, o senhor tem razão, mas o que eu faço então?

– Bom filho, nego velho não tem razão não. Nego velho apenas mostrou o modo dele ver as coisas, quem me deu a razão foi o filho.

E é isso que o filho tem que fazer, procurar a razão dentro do seu modo de ver as coisas. Umas horas o filho vai estar mais certo, e em outras o filho vai estar mais errado, mas assim o filho vai aprendendo a ver as coisas por novos angulos.

Se o filho procurar compreender antes o porque das coisas, com certeza vai ficar mais fácil do filho acertar.

Fica com Zambi filho.

Heldney Cals