Lições dos Guias

Prosperidade e caridade -Texto inspirado pelo sr. Exu do Ouro

Sei que algumas de vocês que lerão esse pequeno texto podem não gostar, reclamar e criticar. Alguns podem me chamar de injusto ou mesmo de insensível. Mas não fui eu que criei as leis do Universo, as leis da vida, não sou eu o responsável pelo mecanismo de acção e reacção.

Assim como, não sou eu o responsável pela riqueza ou pela pobreza de alguém. O máximo que posso fazer é ajudar, é auxiliar aqueles que se põem numa posição correcta perante o meu mistério. Aqueles que não se põem nessa condição, por eles nada eu posso fazer, a não ser esperar que se ponham em uma posição melhor para que eu possa auxilia-los. Assim, para aqueles que se dedicarem a ler esse texto, eu os convido a ler com neutralidade, sem pré-julgamentos, sem emoção para que possam reflectir sobre o que eu tenho a dizer.

Como já devem saber, a pior pobreza que existe é a pobreza de espírito, de consciência. Uma alma próspera, prospera; um espírito pobre, empobrece.

“Porque a todo o que tem, tudo lhe será dado, e terá em abundância;

mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado”.

Matehus

Prosperidade não é apenas uma questão de recursos financeiros, claro que a abundância de recursos financeiros pode ser um indicador de prosperidade e talvez aquele que é mais procurado no mundo de vocês. Mas prosperidade é muito mais do que recursos financeiros, muito mais do que dinheiro. Prosperidade é atitude, é falta de escassez na vida e na alma. É um estado de amor e plenitude onde você  mesmo não sentido a falta de nada procura ter cada vez mais e melhor. Pois quando mais valores internos e externos um espírito tem agregado em sua vida, maior será sua capacidade de contribuir de colaborar com o progresso do meio e da vida.

Prosperidade é um estado de alma, de consciência. É adquirir, desenvolver os valores da alma, do espírito. É ser grato, é ser honesto, benevolente, integro, esforçado, digno, corajoso, disciplinado, etc. Todos devem saber o que são valores. Já abundância é consequências de suas atitudes prósperas.

Caridade não é simplesmente esse negócio que muitos falam e que mais alimenta ao ego e a vaidade do individuo que se auto-julga bonzinho, ao mesmo tempo em que alimenta a condição de vitimismo e de acomodação humana. A verdadeira caridade é o processo que promove o despertar da consciência do individuo.

Não digo que não seja importante dar, partilhar, contribuir com quem precisa e merece, claro que é. Mas isso não pode ser feito indiscriminadamente. E nem precisa ser algo penoso para você. Afinal a verdadeira caridade, o verdadeiro amor, o verdadeiro cuidado começa consigo mesmo. Por isso antes de “fazer o bem sem olhar a quem”, é preciso parar, analisar, perceber quem precisa do peixe, quem precisa da vara e quem precisa do lago. Qual é a intenção de quem está do outro lado. Não dá é e não pode ser igual para todos. É preciso bom senso! Pois muitas vezes o mal pode estar disfarçado de uma boa ação.

Infelizmente o conceito de caridade se deturpou a muito e para muitos espiritualistas, umbandistas, caridade é o acto de ser bonzinho, dar de graça o que de graça recebeste, não é mesmo? Quem sabe assim estão a garantir a sua vaga no céu ou em Aruanda. Desprenda-se de tudo que é material, viva uma vida simples, humilde e miserável por que o rico não entra no reino dos céus?

Riqueza não é sinonimo de pecado. Querer tirar vantagem perante o prejuízo dos outros, agir com segundas intenções. ser desonesto, melindroso, mesquinho, preguiçoso é que é!

Na realidade talvez haja muito mais ricos honestos do que pobres, pois não precisam ficar dando jeitinho, tirar vantagens a custas dos outros para conseguirem o que querem.

A final não há mal nenhum na riqueza, nem no dinheiro. O mal está no seu entendimento e na forma que o utilizam.

Dinheiro, tal como magia é energia. E Energia é movimento, é transformação, é crescimento e desenvolvimento, é dinamismo. Mas a deturpação do seu conceito pode virar algo negativo, prejudicial e nefasto, e trazer graves consequências tanto no plano material, como no plano mental, emocional e espiritual.

O problema não está na magia ou no dinheiro, está na falta de consciência, na falta de prosperidade espiritual para saber lidar com recursos espirituais e materiais da vida.

No universo nada é dado, a não ser a própria vida que já lhe deu tudo que você precisa para você ser um sucesso e viver em abundância e prosperidade.

“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”
João

O que falta talvez seja você despertar ou desenvolver os seus potenciais que estão latentes em sua alma.

Na vida tudo é mérito e mérito só tem quem faz! E só quem faz é aquele que tem a atitude de querer crescer, de aprender e de se desenvolver perante a vida. Esse é aquele capaz de prosperar e progredir. Aquele que nada faz, quem tudo espera e de tudo reclama nada chegará com glória à sua mão. Aquele que não valoriza a si mesmo, o trabalho dos outros, que não respeita a condição alheia, que está sempre a reclamar a querer tirar vantagem e a clamar, a esperar que os outros resolvam sua situação não tem espaço para prosperar em sua vida, pois sua alma está cheia de miséria.

Só aqueles que fazem por ter é que são capazes de receber. Só aquele que tem, que conquistou é que pode dar alguma coisa. Volto a dizer, não estou a falar apenas de dinheiro. Cada um só pode dar o que tem. E só conquistando que se dá e é só dando é que se recebe mais, pois esse é o fluxo de troca e generosidade do universo.

O Universo é um sistema de troca, de partilha e de desenvolvimento constante e que clama pela participação de todos. Todos podem de alguma forma contribuir para uma vida melhor.

Alimentar a condição de vitimismo, de acomodação humana indiscriminadamente através do processo da caridade é a maior desajuda que você pode dar ao ser humano. Pois infelizmente há pessoas que sobrevivem da caridade alheia, onde só querem receber e se manter sustentada em sua condição de pobreza interior. O verdadeiro merecedor de caridade é aquele que quer ajuda para crescer, para se desenvolver, para se melhorar, para poder também partilhar e contribuir com o universo.

Caridade e prosperidade é um fluxo de movimento que acontece quando estamos contribuindo com o processo de crescimento e desenvolvimento do ser e do universo. A maioria dos “necessitados” que clamam por caridade são pessoas egoístas, pobres de espírito que só pensam em si, nunca estão dispostos a fazer, a colaborar, a contribuir e a retribuir com nada. Só querem receber, nunca tem condição de ajudar, de colaborar nem consigo mesmo, muito menos com o universo.

“A maior ganância, a maior ilusão de quem é pobre de espírito

é querer colher do fruto que não plantou”.

Exu do Ouro

Caridade é o fluxo de desenvolvimento da alma, do desenvolvimento das virtudes internas, como amor, inteligência, boa-vontade, paciência, disposição ativa, etc. Por isso que prosperidade independe do estatuto social, intelectual do individuo, mas depende do fluxo de ação da atitude que se tem perante a vida, depende de querer aproveitar as oportunidades da vida e trabalhar para o seu próprio desenvolvimento, assim como o do meio.

Prosperidade não entra na vida de pessoas egoístas, mesquinhas, vitimistas, imediatistas e pequenas.

Prosperidade é para a vida daqueles que querem desenvolver a si próprios, querem se melhorar e se esforçam, se dedicam a essa ação sem medo, com amor, com boa vontade e sem reclamação, pois sabe que toda semente no momento certo dará seu fruto e ele o poderá colher em abundância, por que é seu, porque fez por isso e pode fazer com ele o que quiser. Inclusive ajudar os outros, mas isso tem que vir naturalmente da alma, do espírito. E quando vem dá alma, do espírito não existe nenhum processo de sacrifício.

É seu comportamento que define a sua realidade, são seus comportamentos, pensamentos, sentimentos e ações que impactam na estrutura da vida e moldam sua experiência na matéria. Pois ela na verdade nada mais é do que a realidade do espírito se manifestando na realidade física.

Assim, antes de querer enriquecer de fora para dentro, por que isso sempre traz um ónus, enriqueça de dentro para fora para que a prosperidade e abundância seja algo prazeroso, desenvolvedor e libertador do seu espírito.

O trabalhador é meu, mas o pensador é seu”!

Depois de algum tempo frequentando a Umbanda, quando tinha aproximadamente catorze anos escutei pela primeira vez esse ensinamento por partes dos Guias que assessoravam D. Francisca[1].

De início não entendia bem o que os Guias queriam dizer com essa afirmação, por isso, me concentrava com todas as minhas forças na hora de tomar um passe ou mesmo receber o receituário mágico dos Guias.

Porém, todas as semanas eu ia ao terreiro, e todas as semanas, na hora em que eu era atendido escutava o mesmo ensinamento: “filho, o trabalhador é meu, mas o pensador é seu!” E assim Ler restante »

A pressa de incorporar

É comum e natural a pressa que alguns médiuns iniciantes tem em incorporar, ou mesmo desenvolver outras qualidades mediúnicas.

É preciso compreender que desenvolver a mediunidade não é entrar num terreiro e já “sair incorporando”.

Entendemos a pressa do médium em “se desenvolver” e em trabalhar e aprender com seus Guias.

Mas para isso torna-se necessário um tempo de maturação por parte do médium, não só apenas perante sua própria mediunidade e seu desenvolvimento, mas também perante si mesmo, perante a sua religião e acima de tudo da responsabilidade do serviço mediúnico. Ler restante »

A fé que sustenta

Pai António, na sua simplicidade está sempre nos oferecendo alguns minutos de sabedoria com suas humildes palavras.

Numa gira ao ser questionado por um dos filhos de nossa casa que “não acreditava mais em nada” sobre a fé, Pai António nos mostra sua sapiência mais ou menos com as seguintes palavras que agora vou narrar de acordo com o meu entendimento.

– “Filho, existe duas maneiras de caminhar na vida, uma é segurando a mão de Oxalá, e a outra é sozinho.

Aqueles que seguram a mão de Oxalá podem tropeçar no caminho, podem se magoar, se desequilibrar mas nunca irão cair.

Aquele que resolve se soltar da mão de Oxalá e caminhar sozinho, corre os mesmos riscos, pois ninguém está livre dos tropeços, Ler restante »

A razão das coisas

Essa lição foi-me dada há muito tempo atrás, ainda na minha adolescência, mas como tenho pensado muito nela ultimamente, resolvi relata-la.

Certo dia, após ter vivenciado uma situação um pouco complicada e de estar bastante “chateado” por isso, resolvi ir para meu quarto, pensar na vida.

Pouco tempo depois, senti a presença amiga e familiar de Pai António, o “meu” preto velho.

Resolvi não dar muita atenção, afinal, eu não estava muito “virado” para “essas coisas”.

Depois de algum tempo em silêncio, escutei sua voz amiga me questionar: Ler restante »

Lição de Preto Velho

Antes de passar esta lição do Preto velho, vou explicar o porquê dela.

Certo dia, durante uma gira, o Preto velho mandou que o seu “cavalinho” (médium) fosse fazer um trabalho na casa de uma das suas filhas (consulente) que morava numa cidade diferente da do seu médium.

Como existia uma grande distância a ser percorrida, o médium combinou com a assistente que as despesas de deslocação ficariam por sua conta.

No dia combinado, segue o médium e seu cambone para realizar o tal trabalho pedido pela entidade. Chegando a casa da consulente no horário combinado teve uma grande surpresa Ler restante »

8 de Março – Dia de Pombagira

Estava imerso nos meus trabalhos quando senti a proximidade de um dos Guias, ou melhor, de uma das Guias. Parei para perceber melhor e escutei:

– Boa noite, moço.

– Boa noite, minha senhora. Tudo bem? Posso ser útil em alguma coisa?

– Comigo está sempre tudo bem, moço. (gargalhada) Obrigada pela sua gentileza.

– Não tem de quê, minha mãe à minha esquerda.

– Sabe, moço, agradeço seu carinho e o seu respeito, não são todos que o têm, mas estou longe de ter um filho barbado. (gargalhada).

– Entendo, minha senhora…

– Mas tudo bem, meu filho. (gargalhada escrachada) Sabe, moço, estava vendo a movimentação e sei que haverá trabalhos na minha banda. Fico contente por isso, mas não consigo entender uma coisa.

– O quê, minha mãe? –  ri-me, já pressentindo o que vinha. Ler restante »